23/11/09





Poema em Foco
um olhar: poema sobre a foto. foto sobre o poema.
Louis Brille, um rapaz cego de 18 anos, ouviu falar de um sistema de escrita militar baseado em pontos e buracos para leitura de mensagens na ausência da luz. em 1829, depois de adaptações, cria o sistema Braille.
na câmara escura da cegueira a poeta Delfina Benigna da Cunha escrevia versos. em 1834 publicou Poesias, primeiro livro impresso no Rio Grande do Sul.
em 1841 um papel impregnado de iodeto de prata foi exposto à luz numa câmara escura. a imagem revelada resultava inicialmente num negativo, e, posteriormente, em contato com papel sensibilizado, num positivo. surgia a fotografia moderna.
a Exposição "Poema em Foco" reúne poemas de 25 poetas brasileiros que, direta ou indiretamente, abordam o tema "fotografia". os poemas foram escritos/inscritos de próprio punho. sobre estas escrituras caligráficas a poeta e artista plástica Sandra Santos criou um pequeno e despojado ensaio fotográfico. a seguir os poemas foram transcritos para o Braille.
escritura, inscritura, caligrama, photograma, leitura óptica, leitura táctil, releitura, tresleitura.
esta exposição integra-se às comemorações do bicentenário de nascimento de Louis Braille.
poetas convidados (em ordem alfabética):
Alexandre Brito, Alice Ruiz, Cairo Trindade, Cláudia Gonçalves, Dennis Radüns, Fabio Brüggmann, Glauco Mattoso, Gilberto Wallace, Jaime Medeiros Jr, Jiddu Saldanha, Juliana Meira, Liana Marques, Lau Siqueira, Mara Faturi, Mario Pirata, Nicolas Behr, Renato Mattos, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Ronald Augusto, Rosane Morais, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Telma Scherer, Tulio H. Pereira.
Apoio:
Biblioteca Pública do Estado/SEDAC



Photografia


parar o tempo
por exemplo
dá que pára
numa véspera de morte
ou
pelo contrário
em algum momento
de sorte

hoje
quem sabe
o tempo volte


Alice Ruiz

Alice Ruiz nasceu em Curitiba, PR. a autora de "Navalha na Liga" já publicou mais de 15 livros, entre poesia, traduções e infantil. prêmio Jabuti de poesia com "Desorientais" em 1997 e "Dois em Um em 2009. a poeta tem mais de 50 músicas gravadas por parceiros e intérpretes, entre eles: Alzira Espíndola, Arnaldo Antunes, Itamar Assunção, Zé Miguel Wiznik e Zeca Baleiro.




Soneto da casa invadida


Bandidos, cada vez mais atrevidos,
estão entrando em casas de família!
O bando mata os donos, rouba, pilha,
saqueia, até em cadáveres caídos!

Agora já não fogem, nem ruídos
evitam que se escutem! A mobília
carregam, ou ali mesmo a quadrilha
partilha jóias, ternos e vestidos!

Num lar de classe média, tomam conta
do próprio imóvel! No criado-mudo
da cama de casal, a extrema afronta:

Está o porta-retrato ali, mas tudo
que a foto mostra, um rosto que amedronta,
é o dele, do assaltante bigodudo!


Glauco Mattoso

Glauco Mattoso é paulistano. um dos mais radicais representantes da ficção erótica e da poesia fescenina em língua portuguesa. celebrizou-se na década de 80 como autor do fanzine anarcopoético Jornal Dobrabil e do romance fetichista Manual do Pedólatra Amador. de 90 pra cá, publicou mais de 20 volumes de poesia entre os quais a antologia Poesia digesta (1974/2004) e Animalesca escolha (AmeopoemA-2004). adepto fervoroso da glosa decimal e do soneto clássico, destaca-se também como lexicógrafo no bilíngüe Dicionarinho de palavrões.
nas fotografias do livro
a grama está sempre
bem cortada
em volta das palmeiras
você nunca saberá
quem sou
mas eu existo e moro
perto de chestermill
no norte da austrália
tenho filhos como você
e também sofro com
a fome e as guerras
no mundo
meu Trabalho é esse:
fazer com que a grama
esteja sempre muito
bem cortada em volta
das palmeiras,
sem aparecer
nas fotografias
Nicolas Behr
Nicolas Behr nasceu em Cuiabá. mora em Brasília desde 1974, de quem se tornou o poeta mais representativo. em 1977 publicou num mimeógrafo Iogurte com farinha. em 1978, após publicar Grande circular, Caroço de goiaba e Chá com porrada, foi preso e processado pelo DOPS por “porte de material pornográfico”. seu último livro, indicado ao Prêmio Jabuti de 2008, foi Laranja Seleta (Ed. Língua Geral).




Que dizer da usura do verso
da verve do velho da virulência do verbo

verso usado verso ousado
todos foram inéditos

como a cor púrpura no retrato


Sandra Santos

Sandra Santos estreou nas letras aos 15 anos de idade, com o livro “Crônicas da Minha Cidade”, edição comemorativa do centenário de São Luiz Gonzaga, sua cidade natal. Tem poemas e contos perdidos em diversas antologias. É artista plástica, flautista e nerd, não necessariamente nesta ordem. É “cria” do “Homem que sabia Javanês”, mas sua escrita é em Java.

22/11/09





suicídio lento
na mobília da alma
os versos que invento


Lau Siqueira

Lau Siqueira nasceu em Jaguarão-RS e reside na Paraíba. publicou 4 livros de poemas. escreve no blog Poesia Sim, www.poesia-sim-poesia.blogspot.com
Ode de ódio à fotografia
Dez mil mortes às portas da câmara escura
a que tens por caverna, tu
que deusa não és e a mitos
não te prestas, arte das frestas
Dez mil mortes à rua entre as casas
e os pontos de luz,
comedora de signos
Câmara ardente de imagens vistas,
muito menos que sonoras,
não vales sequer uma palavra
Dez mil mortes almejo à câmara tua
Linguagem crua és, ausência pura ou
marca de presenças que se foram já
quando as detiveste,
suspensas no nada de si mesmas
Menos que ideograma: fotograma
Menos que ideografia: fotografia
És foto, não grafas
Tudo o que és:
resto de sonho anterior a uma língua morta
descrita por mestre indiano, pedaço de sphota ou
fantasma de sombras chinesas,
mero instantâneo da idéia
do sopro mediano,
mas distante do Tao
O Tao não é aquilo que és,
quase-pictrograma
sem caráter
Mas te necessito
para o sorriso dela junto ao meu
em frente ao lago os lotus em flor
naquele verão ou qualquer viagem
mesmo à beira da cama
Para a vida pequena que levo
entre rastros de sagrados,
para o casamento com ela,
te necessito
sim, musa fria
Dez mil horas sem sono se engolem
em tua vigília, te necessito
porque és leviana, sonsa
e soas sem som no vazio
E não me levas a alma,
estúpida: clicas-me
e te devoro
Quinquilharia da moda,
és tu ou minha língua
Só uma sobreviva,
ó dejeto de subvidas
Digo: abaixo tua cara
desalmada de jornal,
cova rala do raro
Tua verdade toda
encontra-se atrás de ti,
jaz na janela de trás,
no olho que investiga
e estima teu caminho,
segredo de James Stewart,
mistério de Hitchcock
E te necessito,
néscia: te felicito
Ricardo Portugal
Ricardo Portugal é poeta e diplomata, e acaba de retornar de 5 anos vivendo e trabalhando na China. Formado em Letras pela UFRGS, lançou, entre outros, o livro DePassagens, pela Editora AMEOPOEMA, e foi co-organizador e editor do livro bilingüe “Antologia Poética de Mário Quintana”, lançado na China em parceria pelo Consulado-Geral do Brasil em Xangai e a Editora da PUCRS.




Ver o sol
quando não há sol
nuvens muito brancas


Jiddu Saldanha

Jiddu Saldanha é poeta, artista plástico, agitador cultural, professor de meimica e MESTRE DE CERIMÔNIAS em eventos literários. Foi apresentador do Festival Carioca de Poesia, Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, Congresso Brasileiro de Poesia, POETERÊ e em diversos Saraus pelo Brasil como o Projeto Poesia na Quarta Capa, no Rio de Janeiro.




velhas fotos
descubro que te amo
desde pequena


Ricardo Silvestrin

Ricardo Silvestrin nasceu e vive em Porto Alegre. recebeu três vezes o Prêmio Açorianos de Literatura – duas como melhor livro de poesia e uma como melhor livro infantil. é colunista do jornal Zero Hora e apresenta na Ipanema FM o programa Transmissão de Pensamento. integra a banda os poETs. publicou em 2008 pela Record o volume de contos Play e o romance O videogame do Rei em 2009.







apartamento gelado
a pilha de roupas respira
o gato usa cueca no pescoço


Renato de Mattos Motta

Renato de Mattos Motta nasceu em Porto Alegre. artista plástico, publicitário, fotógrafo e poeta. publicou Os cantos da carochinha pela editora PortoPoesia em 2009.

21/11/09




a colônia de cupins trabalha
em minha mesa de centro sua casa

rente às notícias passadas
passeiam traças

e nas tomadas a muda sintonia
das formigas

enquanto o porta-retrato empoeirado
transmuda ácaros em teu descaro
na antiga fotografia


Juliana Meira

Juliana Meira nasceu na cidade de Carazinho. é poeta e advogada. publicou Poema Dilema pela editora PortoPoesia, em 2009. participa de recitais. reside em Porto Alegre.



Flash


põe tua roupa mais chocante,
eu tento a pose mais linda.

vamos ficar bem juntinhos,
olhos nos olhos, sorrindo.

faz de conta que eu sou teu
e que tu me amas ainda.

me beija, finge que nós
fomos felizes um dia.

nos amemos, pelo menos,
durante este eterno instante
da fotografia.


Cairo Trindade

Cairo de Assis Trindade é gaúcho de copacabana, poeta, performer e editor. autor de poematemagia. recebeu alguns prêmios nacionais de poesia. mantém uma oficina de criação literária.




encontrei figura de outros tempos
ela
com o filho pela mão
entrando no colégio bom conselho
ela
sequer viu que eu passava
o filho se escondendo entre suas pernas
tímido
diante do marco de entrada da escola
pensei acordá-la do presente
e fazê-la fitar
um pouco do passado
que passava –
nada fiz –
senão olhar o que era


Jaime Medeiros Jr.

Jaime Medeiros Jr. nasceu em POA-RS. publicou Na Ante-Sala editado pela Editora Portopoesia e T. das Artes em setembro de 2008. é um dos produtores do Portopoesia.




o espaço
é nosso
reflexo?

ou

somos
o reflexo
do espaço?


Rosane Morais

Rosane Morais é artista plástica. expõe no Brasil e no exterior. faz parte da diretoria da Fundação Chico Lisboa.



Ronald Augusto
nasceu em Rio Grande. poeta, crítico, ensaísta, editor da editora Éblis. é autor de vários volumes de poesia como Vá de valha, Confissões aplicadas, No assoalho duro, entre outros. Integra a banda os poETs. reside em Porto Alegre.




Alexandre Brito
é poeta, músico e editor. publicou Visagens (Arte Pau-Brasil-SP) Zeros, O fundo do ar e outros poemas (Editora AmeopoemA-RS) e o infantil Circo Mágico (Editora Projeto-RS). integra a banda os poETs. é um dos editores da AmeopoemA.




Instantâneos moram na imagem como cardume decetáceos


membranas imediatas do instante
os instantâneos sobre as brânquias
as braçadas entre os nados
e os mergulhos adiados,
de escrita em escrita,
nas correntes da intempérie:
o corpúsculo imenso da realidade
exorbita e se desmembra
na imagem,
quando as águas
são folíolos de luz líquida,
rios de mínimas miragens,
rasantes de fisionomias
nas barbatanas da efemeridade:
“a realidade possui caudas”
“o mundo migra nos cetáceos”
agora: ainda: adiante


Denis Radünns

Denis Radünns nasceu em Blumenau-SC. é poeta, crítico, ensaísta, tradutor e colunista do Diário Catarinense. Coordena a editora Nauemblu. publicou o volume de poemas Exeus (Letras Contemporâneas), Livro de Mercúrio (LetraDágua Editora) e Extraviário (LetraDágua Editora), entre outros.



Porta

(sobre fotografia de Fabiana Majola)

porta,
para onde abres?
o que trazes
por trás do teu perfume?
que vermelho te habita?
que chuvas lamberam
os pés de tuas tábua?
que mãos amaciaram
tua dura maçaneta?
quem imaginou
tua ríspida simetria?

quem te olha
como auscultando?
quem te fotografa
como pedindo
que te abras?
que setas
te delimitam?
qual verde
te escala?
porta,
és como uma boca:
fala!


Sidnei Schneider

Sidnei Schneider é poeta, tradutor, contista, e bacharelando em Letras/Inglês pela UFRGS. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), entre outros. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas.





Blow up


1.

Queria te dar
a primavera

No parque
queria te dar
todo cheiro
Mas essas flores
congeladas
apontam
A morte
da fotografia


2.

Nenhuma pista
devolve teu corpo
As paredes não mexem

Eu colo cartazes
num azul
sempre igual
As máquinas
transcendem

São serpentes

Teu cabelo úmido
na minha tela

Teu corpo estirado
na minha cama


Tema Scherer

Telma Scherer formada em Filosofia e mestra em literatura comparada. publicou Desconjunto em 2002 e Rumor da Casa em 2008. nasceu em Lajeado. é poeta. mora em Porto Alegre.






céu lindo
a lua pendurada
é um brinco


Mario Pirata

Mario Pirata é poeta e brincadeiro. marmanjo desengonçado, encantador de histórias, falador de poemas, descatador de caramujos, fazedor de miudezas, descascador de sonhares. tem doze livro publicados.




Descansa na parede
tua fotografia
amarelando em saudade


Mara Faturi

Mara Faturi é poeta, publicitária e haicaísta de plantão. em 2009 estréia em livro com Andanças, pela editora PortoPoesia.



Tem umas coxas quentes
e uns joelhos friíssimos,
uma boca macia,
boa de beijar;
uma ampla bacia,
mas não quer engravidar.
Um narizinho de biscuit,
mas queimado,
e uns olhos que, iguais,
nunca vi.
Tem tanta beleza
que, até sentada à mesa,
me faz saltar o coração
à boca, eu o mastigo
com a torrada coberta de geléia.
Ah, que a tua beleza é nobre, plebéia.
O teu corpo me desfalece,
me adoece, me restabelece,
me embevece, me aquece,
me tenta, me sustenta,
me arrebenta, me reinventa
como se eu fosse o primeiro homem,
com fome da tua carne
desatada entre a mornidão dos lençóis.
Da tua macia e fria carne,
alimento, elemento
do meu verso quando, suspenso pelo vento
da imaginação, me sento
frente ao desafio dessa paixão,
deixando-a guiar a minha mão
pelo branco labirinto do papel
até dar por acabado este retrato,
o teu, abstrato.


Gilberto Wallace


Gilberto Wallace Battilana é poeta, contista, editor da revista Folha de Letras, ministra oficinas de criação literária. Publicou "O artesão da solidão", poemas. Participou de antologias de premiados em concursos de conto e poesia. blogdobattilana@blogspot.com



Banca rota


O farto manuseio das pedras
aproxima a morte do trapo
o fecho do lacre
crack
crack
desanima o ensaio da foto


Liana Marques


Liana Marques foi contaminada com o vírus da poesia. essa invulgar lexo-virose a tomou por inteiro. participou de inúmeros recitais, encontros literários, e, depois de participar da oficina "A precisão do impreciso", ministrada pelo poeta Ronald Augusto, começou a cometer poemas cada vez mais qualificados. o diagnóstico atual é taxativo: Liana Marques tornou-se uma poeta.

20/11/09




a água do rio é minha lente
e seu leito, o diafragma


fora do quadro a luz
....é mais freqüente


pulsa como vidro de prata ria

como a gata por um fio


..............a vida mia

..............na fotografia



Fabio Brüggemann

Fábio Brüggmann nasceu na “ilha de Nossa Senhora dos Aterros” é editor, escritor, roteirista e diretor de alguns filmes. Colunista do Diário Catarinense. publicou Fabulário dos ilustres desconhecidos (Letras Contemporâneas), entre outros.



Retrato urbano


no siêncio guardado
no armário do nada

um gole de esperança
vestido de solidão
pinta-se de coragem

e com um amargo
sol nos olhos
mais um dia termina
com gosto de não vivi


Cláudia Gonçalves

Cláudia Gonçalves é poeta e ativista cultural. membro da Casa do Poeta Rio-Grandense. participou de doze antologias. tem poemas publicados em jornais, revistas, e-books e nos sites: Alma de poeta, Poetas del mundo, Recanto das letras, Usina das palavras, Artistas gaúchos e outros.

10/09/09





sobre o aparador
um recorte de jornal
trinta reais, com local


Túlio Henrique Pereira

Túlio Henrique Pereira nasceu em Itumbiara-GO. é formado em História pela Universidade Estadual de Goiás [UEG]. reside atualmente na Bahia. publicou O observador do mundo finito, entre outros.

07/09/09


conheça o blog da gata clicando aqui

Dica de blog:
A Gata por um Fio - A melhor literatura

a gata” já está há uns cinco anos na rede e atende pelo nome de Sandra Santos. neste tempo conquistou um espaço super bacana no web-mundo. a blogueira é artista plástica, poeta e outras cositas mais, razão pela qual literatura e artes visuais são assuntos permanentemente tratados. tecnologia é outra área de interesse da gata que também tem um apreço especial por viagens, drinks, lendas, etc etc e etc. sua curiosidade não tem limites. o gosto pela pintura, particularmente a pintura Naif, transformou o blog num espaço permanente de divulgação. ela está atualmente catalogando pintores Naifs do Brasil todo. “A Gata”chama atenção pela qualidade dos posts que, invariavelmente, ocultam dedicação extrema e pesquisa extensa. essa seriedade atraiu a atenção de craques no assunto como por exemplo o Bobs, site alemão que seleciona os melhores blogs do mundo, que destacou/indicou "A Gata por um Fio" como um dos melhores em conteúdo de língua portuguesa. uma seção prestigiadíssima era a "Domingo eu Conto", que a cada semana selecionava para degustação um trecho de um conto de algum autor conhecido, propondo uma espécie de degustação às escuras. os leitores deveriam adivinhar, pelas características de estilo e linguagem, de qual escritor(a) pertencia aquele texto. no "domingo" seguinte o enigma era desvelado, o conto publicado na íntegra, revelando o seu autor, quando então uma nova xarada se repetia. ao que parece, tudo indica que esta brincadeira deve voltar ao blog em breve.

bom minha gente, fica aqui de bandeja essa fina e afiada sugestão aos leitores frequentes e de passagem. abaixo, links para alguns posts imperdíveis da gata. clicaí:

Contos:
O homem na multidão - Edgar Allan Poe
para ler clique aqui

Em terra de cego - H.G. Wells
para ler clique aqui

Lendas:
E-book - Salamanca do Jarau - Simões Lopes Neto
para ler clique aqui

Poemas:
Cão sem plumas - Cabral de Melo Neto
Leda e o Cisne - William Butler Yeats
O Duro Cerne da Beleza - William Carlos Williams
A Pantera - Rainer Maria Rilke
para ler clique aqui

Arte é Viagem - Cidades históricas de Minas Gerais
para ler clique aqui

Cultura Etílica - Drinks Curiosos
para ler clique aqui

04/09/09


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Aqui estão duas raridades do Bob Marley. Duas pérolas de sua primeira fase musical: cabelo curto, sapatinho preto, terno e gravata. Gravações feitas antes de vir a ser o "King" dos "Rasta" que se tornou. Uma fase "pré-Bob Marley", desconhecida do grande público. Nada a ver com a imagem que temos hoje deste músico genial. Vale conferir, e baixar.

03/09/09

download mp3 Expresso 2222 Gilberto Gil baixe grátis aqui

Expresso 2222 - Gilberto Gil - 1972


"Expresso 2222", primeiro lançamento pós-exílio de Gilberto Gil, mostra ele em altíssima forma, o gênio retornou pra terra natal mais genial do que nunca. O álbum deixa bem claro a visceralidade contida num Gil que matava a saudade de seu berço, mas que também soube fazer uso de forma magistral do exílio trazendo uma bagagem que serviria como 'divisora de águas' dentro de sua carreira. Todas as transformações passadas pelo baiano resultaram num material denso e consistente, com uma pegada rock'n'roll, porém, incrustrado de brasilidade de "cabo a rabo". Um trabalho que revela pro mundo um Gil agora dono de uma maturidade musical que aumentava a cada dia.

Gil escolheu como tema de abertura do álbum a música "Pipoca Moderna", de Sebastião Biano, música que em 1975 ganharia letra de Caetano Veloso, essa gravação acabou sendo a estréia em disco de um dos grupos mais tradicionais do nordeste, a Banda De Pífanos De Caruaru.

No livro 'Verdade Tropical' ainda há comentários que dizem que o encontro com a banda de pífanos fez Gilberto Gil compreender a música popular como um meio de cultura de massa e o nacionalismo das canções de protesto como algo sem sentido e ultrapassado. A viagem a Pernambuco teria fornecido ao compositor baiano os dois limites entre os quais, do seu ponto de vista, deveria se referenciar a Música Popular Brasileira: a Banda de Pífanos de Caruaru e os Beatles.

veja os vídeos:
http://www.youtube.com/watch?gl=BR&v=Ja7yBF5WzOk
http://www.youtube.com/watch?v=msknQAdP0DI&feature=related
fonte:
Marcel Cruz, Sacudinbenblog

02/09/09


Paulo Leminski

Dia 24 de agosto Paulo Leminski estaria fazendo 65 anos. Dos poetas da sua geração, Paulo Leminski Filho foi aquele que com maior radicalidade integrou a artesania da palavra com a espontaneidade da criação. Sem pudores de rimar humor e dor, seus textos podem ser lidos em múltiplos registros, do culto ao popular, sem perder seu poder de comunicabilidade. Estudioso de línguas e pesquisador da linguagem, sua obra está mais próxima a da "poesia de invenção", e na prosa, ao "experimentalismo", tendo em seu "Catatau" e em "Agora é que são elas", dois momentos altos desta prosa chamada por ele mesmo de "porosa". Mestiço de pai polonês com mãe negra, é dono de uma extensa e relevante obra. Desde cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, trabalhando poemas breves, trocadilhos, brincando com ditados populares. Foi um importante divulgador do haicai no Brasil, gênero da poesia japonesa que praticava com maestria. Aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo, onde estudou grego e latin. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, porta-voz da poesia concreta paulista. Teve ao seu lado por vinte anos a poeta Alice Ruiz, com quem teve três filhos. Juntos influenciaram decisivamente não apenas a cena da poesia da sua época mas toda uma geração. A música foi uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração da poesia marginal. Em 1975 lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental". Além de poeta e prosista, Leminski foi também tradutor. Sua personalidade inquieta, intensa e carismática, seu pensamento arrojado e inventivo, transformou-o em referência no cenário da cultura brasileira. Conviveu com poetas, músicos e intelectuais de sua época como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Régis Bonvicino, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Jorge Mautner, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Fred Maia, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues. Foi tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes. Foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 a biografia de Matsuo Bashô. Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 30 anos.


um deus também é o vento
só se vê nos seus efeitos
árvores em pânico
bandeiras
água trêmula
navios a zarpar

me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar

a este deus
que levanta a poeira dos caminhos
os levando a voar
consagro este suspiro

nele cresça
até virar vendaval

Paulo Leminski
do livro Caprichos e Relaxos / Brasiliense


SEM BUDISMO

Poema que é bom

acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero. Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.


Paulo Leminski
do livro Distraidos Venceremos / Brasiliense
______________________________

Obra poética

Quarenta clics de Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires.
Curitiba, Etecetera. 1976. (2ª edição Secretaria de Estado Cultura, Curitiba, 1990.) n.p.
Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980. n.p.
Não fosse isso e era menos / não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980. n.p.
Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983. 154p.
Hai Tropikais. Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985. n.p.
Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985. 6p.
Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987. 154p.
Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987. 133p. (5ª edição 1995)
La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.
Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994.
Szórakozott Gyozelmunk - Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy, Hungria, ed. Kráter, 1994. n.p.
O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.
Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.
Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán - México, Eldorado Ediciones, 1997. n.p.

Obra em prosa

Catatau (prosa experimental). Curitiba, Ed. do Autor, 1975. 213p.
Agora é que são elas (romance). São Paulo, Brasiliense, 1984.1 63p.
Catatau. 2ª ed. Porto Alegre, Sulina, 1989. 230p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994.
Descartes com lentes (conto). Col. Buquinista, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1995.
Agora é que são elas (romance). 2ª ed. Brasiliense / Fundação Cultural de Curitiba, 1999.

Literatura infanto-juvenil

Guerra dentro da gente. São Paulo, Scipione, 1986. 64p.
A lua foi ao cinema. São Paulo, Pau Brasil, 1989. n.p.

Biografias

Cruz e Souza. São Paulo, Brasiliense. 1985. 78p.
Matsuó Bashô. São Paulo, Brasiliense, 1983. 78p.
Jesus. São Paulo, Brasiliense, 1984, 119p.
Trotski: a paixão segundo a revolução. São Paulo, Brasiliense, 1986.
Vida (biografias: Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trótski). Sulina, Porto Alegre, 1990. (2ª edição 1998)ENSAIOS
POE, Edgar Allan. O corvo. São Paulo, Expressão, 1986. 80p. (apêndice)
Poesia paixão da linguagem. Conferência incluída em Sentidos da paixão. Rio de Janeiro, Companhia das Letras, 1987. p.287-305.
Nossa linguagem. In: Revista Leite Quente. Ensaio e direção. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, v.1, n.1, mar.1989.
Anseios crípticos: peripécias de um investigador dos sentido no torvelinho das formas e das idéias. Curitiba, Criar, 1986. 143p.
Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994.
Ensaios e anseios crípticos. Curitiba, Pólo Editorial, 1997. n.p.

Traduções

FANTE, John. Pergunte ao pó. São Paulo, Brasiliense, 1984.
FERLINGHETTI, Lawrence. Vida sem fim (com Nelson Ascher e outros tradutores). São Paulo, Brasiliense, 1984. n.p.
JARRY, Alfred. O supermacho; romance moderno. São Paulo, Brasiliense, 1985. 135p. lndição editorial, posfácio e tradução do francês.
JOYCE, James. Giacomo Joyce. São Paulo, Brasiliense, 1985. 94p. Edição bilingüe, tradução e posfácio.
LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. São Paulo, Brasiliense, 1985.
MISHIMA, Yukio. Sol e aço. São Paulo, Brasiliense, 1985.
PETRONIO. Satyricon. São Paulo, Brasiliense, 1985.191 p. Traducão do latim.
BECKETT, Samuel. Malone Morre. São Paulo, Brasiliense, 1986.16Op. lndicação editorial, posfácio e traduções do francês e inglês.
Fogo e água na terra dos deuses. Poesia egípcia antiga. São Paulo, Expresão, 1987. n.p.

01/09/09

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capa original do vinil duplo

capa do relançamento em CD

Ogum Xangô
Gilberto Gil Jorge Ben

Dois gênios da música brasileira se encontram em uma noite de 1975, reunidos para uma jam session com seus violões e vozes, somados a uma percussão e um baixo. Gilberto Gil e Jorge Ben assumem em Gil e Jorge a identificação musical existente entre ambos e que ganhou vida sob o título dos orixás Ogum e Xangô.

A dupla realizou uma verdadeira viagem musical lançada em vinil duplo e que teve de ser cortada devido à duração da gravação, que tem mais de 75 minutos. Tempo no qual se desbruçam Gil e Jorge em improvisos sensacionais como na música Taj Mahal, que se estende por pouco mais de 14 minutos.

Há quem diga que os dois responsáveis pela obra estavam sob efeito de alucinógenos, sendo assim ou não, ninguém pode negar que colocar Gil e Jorge em um estúdio e deixá-los produzir livremente por tempo indeterminado deu um belo fruto. Ogum Xangô é mágico do início ao fim e cada canção literalmente estrangulada pela dupla tem sua particularidade que no conjunto da obra formam este disco belo, espontâneo e logicamente... sensacional.

fonte:
ouro-de-tolo.blogspot.com
texto: Felipe "Globis"